Redação Agência Vnew

Cidadania

Conferência Juntos e a importância da diversidade para o mercado

Qual é a real importância de estarmos juntos? Me questiono ao encontrar 400 profissionais negros em um único lugar — sendo eu uma parte deste número — na conferência Juntos. O evento foi criado pela consultoria Mc Kinsey e teve apoio de diversas empresas importantes, como Itaú, J.P Morgan, Google, entre outras. Porém, a estrela da noite foi a representatividade.

Para começar, os palestrantes — em sua maioria negros — tinham histórias de vida diversas, mas que se convergiam na questão da superação e provação do negro dentro do mercado. Dentre eles, tínhamos alguns nomes conhecidos, como a Glória Maria que é jornalista renomada, e Rachel Maia que esteve à frente da Pandora e hoje é CEO da Lacoste. Ainda assim, foi possível conhecer, através das palestras, profissionais negros que não possuem tanto reconhecimento na mídia, mas que são influentes e trabalham para garantir a diversidade e representatividade nos espaços em que ocupam.

Denis Caldeira é um destes exemplos. Ele é diretor de negócios no Facebook e também está à frente do grupo de diversidade da multinacional: Black at Facebook. Para Caldeira, não é só necessário esforço, mas sim um mentor que trabalhe a autoestima e esteja do lado do jovem negro em cada rejeição. Ele mesmo já presenciou muitas, foram um total de 10 tentativas durante os anos para chegar onde está, e nada disso teria sido conquistado se não fosse pelos seus pais, seus mentores.

Já Samantha Almeida chama atenção por ser considerada uma das dez pessoas mais influentes do mercado de conteúdo digital pelo Youpix. Tendo liderado a equipe da Avon por três anos e gerenciado a Vevo Brasil, através da empresa Music2, ela se tornou uma grande inspiração para a minha vida profissional, levando em conta que trabalhos em áreas semelhantes.

Networking, Diversidade e Inovação

Com 400 profissionais negros à disposição é impossível deixar de construir relações. Ver tantas pessoas extremamente competentes e que enfrentam os mesmos problemas que eu, como o preconceito e o racismo estrutural, é muito impactante. Todos com quem falei foram extremamente receptivos e ampliaram minha rede de negócio. Além da parte profissional, não posso deixar de citar a questão emocional. Todos se emocionavam a cada relato de racismo, se entendiam e assim lutavam por um mesmo propósito.

Especialmente Arthur Correia e Mariana Nascimento, pessoas incríveis que tive a chance de conhecer. Eles e mais uma equipe pequena, estão encarregados da criação de um movimento de diversidade em uma grande empresa nacional. Esta ação representa um grande desafio, pois o sucesso do projeto pode resultar em uma mudança brusca de cultura organizacional a longo prazo – principalmente com a inserção do negro em um espaço nada diverso.

Eu, Arthur e Mariana

Atualmente, a população negra corresponde a 54% da população brasileira de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo que 50% dos donos de negócio são negros, baseada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). No entanto, poucos negros se encontram em cargos de importância nas grandes empresas. Segundo a pesquisa feita pelo instituto Ethos, os negros representam 6,3% na gerência das maiores empresas do Brasil, sendo 4,7% de pretos e pardos no quadro executivo e 4,9% no conselho administrativos.

Se você leitor, está lendo este texto, significa que o mercado está mudando e os espaços para a diversidade estão se abrindo lentamente nas empresas. O Itaú aumentou sua porcentagem de profissionais negros de 8% para 11%, de acordo com Claudia Politanski, vice-presidente do banco. Um número pequeno, mas que representa uma preocupação da empresa com o tema.

Rachel Maia, única CEO negra no Brasil

De acordo com uma pesquisa feita pela Mc Kinsey, as empresas que adotam políticas de diversidade em sua organização lucram 33% a mais de quem não o faz. Portanto, a inclusão do negro no mercado só traz vantagens. Cabe a conscientização das empresas sobre este fator, principalmente na hora do recrutamento.

Estar juntos é a maneira que temos para dar voz à causa e garantir que outros de nós também ascendam na sociedade. Apenas 0.4% dos negros estão em cargo de CEO em uma empresa global no Brasil, porcentagem que, na verdade, é representada por apenas uma pessoa, Rachel Maia. É solitário e doloroso seguir sozinho e, por isso, seguimos juntos.

Por Matheus Dias, estagiário da Agência Vnew

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